Google e a estranha visão da diversidade reinante

Já imaginava que James Damore, o engenheiro de software do Google seria localizado e demitido. Afinal, suas ideias, expressas em um memorando interno à empresa e divulgado pelo site Gizmodo, são diversas daquelas apregoadas pela política de diversidade da empresa. (*)

Não são apenas os donos da Alphabet – holding da qual o Google faz parte – mas, majoritariamente, os proprietários de grandes grupos têm as mesmas preferências que eles. E as pessoas sentem verdadeiro pavor de não afirmar o que eles afirmam. Então, aqueles que têm ideias diferentes – e, portanto, diversidade de pensamento – não são ouvidas, mas, sim, silenciadas sempre que possível.

E a análise desse engenheiro será esquecida ou combatida com ferocidade. Mas não tolerada, porque será considerada, paradoxalmente, contrária à diversidade, e não como um elemento que a compõe.

A diversidade do momento é aquela que diz que todos devemos pensar da mesma forma.

Eu posso discordar desse engenheiro, principalmente da maneira como fez afirmações sem indicar fontes – aliás, um péssimo hábito dos debates atuais. Entretanto, silenciar pessoas que pensam diferentemente de você é uma maneira estranha de fomentar a diversidade. Omitir fatos e documentos daquilo que é contrário à sua ideia, além de não gerar diversidade, cria um mundo de falsidades e mentiras.

Como minha principal preocupação é a formação das lideranças, esse tema é de fundamental relevância. Afinal, um líder deve ser, acima de tudo, um educador. E educar significa mostrar a verdade por meio de ideias que tenham respaldo na realidade e, portanto, podem ser verificadas. Se é dificílimo descobrir a verdade, mais ainda o será se acreditarmos que as palavras, por si sós, podem produzi-la. Isso tem criado guetos em que pessoas sabedoras de informações, dados e evidências que elucidam a verdade se calam, pois seu conhecimento não corresponde ao discurso de poderosos – o engenheiro demitido que o diga. Isso fecha os melhores caminhos para soluções duradouras de problemas que queremos resolver – como é o caso do respeito à diversidade nas empresas.

Outros indivíduos, a partir de agora, em vez de expressar suas ideias e, principalmente, seus dados sobre a verdade, vão omiti-los. Quem se beneficiará com isso? Com certeza não serão as pessoas nem o mundo. Muito menos as empresas e seus acionistas.

Vamos em frente!

(*) Ver o memorando em português aqui: http://gizmodo.uol.com.br/exclusivo-o-memorando-de-10-paginas-anti-...

(**) Versão original em inglês: http://gizmodo.com/exclusive-heres-the-full-10-page-anti-diversity-...

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